quinta-feira, 15 de abril de 2010

matar, a forma mais alta de amar,
matar em nós a vontade de matar,
voltar a matar a vontade,
matar, sempre, matar,
mesmo que, para isso,
seja preciso todo o nosso amar
quem parece são não é
e os que não parecem são
quem parece são não é
e os que não parecem são
Faça os gestos certos,
o destino vai ser teu aliado,
ouço uma voz dizendo
do fundo mais fundo do passado.
Hoje, não faço nada direito,
que é preciso muito mais peito
pra fazer tudo de qualquer jeito.
Ai do acaso,
se não ficar do meu lado.
esse súbito não ter
esse estúpido querer
que me leva a duvidar
quando eu devia crer
esse sentir-se cair
quando não existe lugar
aonde se possa ir
esse pegar ou largar
essa poesia vulgar
que não me deixa mentir

terça-feira, 6 de abril de 2010

Nada tão comum
que não posso chamá-lo
meu

Nada tão meu
que não posso dizê-lo
nosso

Nada tão mole
que não possa dizê-lo
osso

Nada tão duro
que não possa dizer
posso

Leminski
Das coisas que fiz a metro
todos saberão
quantos quilômetros
são

aquelas
em centímetros
sentimentos mínimos
ímpetos infinitos
não?

Leminski