- Conterò poco, è vero:
- diceva l'Uno ar Zero
- ma tu che vali? Gnente: propio gnente.
Sia ne l'azzione come ner pensiero
rimani un coso voto e inconcrudente.
lo, invece, se me metto a capofila
de cinque zeri tale e quale a te,
lo sai quanto divento? Centomila.
È questione de nummeri. A un dipressoè
quello che succede ar dittatore
che cresce de potenza e de valore
più so' li zeri che je vanno appresso.
* -- * -- * -- * -- * -- * -- * -- * -- * -- * -- * -- * -- * -- * -- * -- *
Eu valho muito pouco, sou sincero,
dizia o Um ao Zero,
no entanto, quanto vales tu?
Na prática és tão vazio e inconcludente quanto na matemática.
Ao passo que eu, se me coloco à frente de cinco zeros
bem iguais a ti, sabes acaso quanto fico?
Cem mil, meu caro,
nem um tico a menos nem um tico a mais.
Questão de números.
Aliás, é aquilo que sucede com todo ditador
que cresce em importância e em valor quanto mais são os zeros a segui-lo.
Tradução de Paulo Duarte
1944
Mayakovski.
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
La Statistica - A Estatística
Sai ched’è la statistica? È ‘na cosa
Che serve pe’ fa’ un conto in generale
Che la gente che nasce, che sta Male,
Che more, che va in carcere e che sposa.
Ma pe’ me la statistica curiosa
È dove c’entra la percentuale,
Pe’ via che, lì, la media è sempre eguale
Puro co’ la persona bisognosa.
Me spiego: da li conti che se fanno
secondo le statistiche d’adesso
Risurta che te tocca un pollo all’anno:
E, se nun entra ne le spese tue,
t’entra ne la statistica lo stesso
Perché c’è un antro che ne magna due.
* -- * -- * -- * -- *--*--*--*--*--*--*--*--*--*--*
Sabes o que é a estatística? É uma coisa
Que serve para fazer uma conta em geral
Da gente que nasce, que está doente,
Que morre, que vai para a cadeia e que se casa.
Mas para mim, o curioso da estatística
É onde entra a percentagem,
Pelo motivo que, ali, a média é sempre igual
Mesmo com a pessoa necessitada.
Explico-me: das contas que se fazem,
Segundo as estatísticas de agora,
Resulta que te toca um frango por ano:
E, se não entra nas tuas compras,
Entra-te igualmente na estatística
Porque há um outro que manduca dois.
Che serve pe’ fa’ un conto in generale
Che la gente che nasce, che sta Male,
Che more, che va in carcere e che sposa.
Ma pe’ me la statistica curiosa
È dove c’entra la percentuale,
Pe’ via che, lì, la media è sempre eguale
Puro co’ la persona bisognosa.
Me spiego: da li conti che se fanno
secondo le statistiche d’adesso
Risurta che te tocca un pollo all’anno:
E, se nun entra ne le spese tue,
t’entra ne la statistica lo stesso
Perché c’è un antro che ne magna due.
* -- * -- * -- * -- *--*--*--*--*--*--*--*--*--*--*
Sabes o que é a estatística? É uma coisa
Que serve para fazer uma conta em geral
Da gente que nasce, que está doente,
Que morre, que vai para a cadeia e que se casa.
Mas para mim, o curioso da estatística
É onde entra a percentagem,
Pelo motivo que, ali, a média é sempre igual
Mesmo com a pessoa necessitada.
Explico-me: das contas que se fazem,
Segundo as estatísticas de agora,
Resulta que te toca um frango por ano:
E, se não entra nas tuas compras,
Entra-te igualmente na estatística
Porque há um outro que manduca dois.
A justiça ajustada
Júpiter disse à Ovelha:
- São injustos e odiosos,
além disso, contra a lei,
os sucessivos sustos
com que os lobos te afligem, eu bem sei!...
É melhor, entretanto, que suportes
com paciência os agravos:
a questão é que os lobos
são fortes demais, para não ter razão...
Tradução de Paulo Duarte
- São injustos e odiosos,
além disso, contra a lei,
os sucessivos sustos
com que os lobos te afligem, eu bem sei!...
É melhor, entretanto, que suportes
com paciência os agravos:
a questão é que os lobos
são fortes demais, para não ter razão...
Tradução de Paulo Duarte
O Homem e o Lobo - Trilussa
Um Homem disse a um Lobo:
- Se tu não fosses tão arrogante e prepotente,
Ganharias a vida honestamente e terias a minha proteção.
- Prefiro a liberdade a ter patrão,
o Lobo retrucou,
De resto se eu fosse bom
e me tornasse honesto me tratarias como a um cão.
Tradução de Paulo Duarte
- Se tu não fosses tão arrogante e prepotente,
Ganharias a vida honestamente e terias a minha proteção.
- Prefiro a liberdade a ter patrão,
o Lobo retrucou,
De resto se eu fosse bom
e me tornasse honesto me tratarias como a um cão.
Tradução de Paulo Duarte
Poesia do Exílio - Brencht
Nos tempos sombrios
se cantará também?
Também se cantará
sobre os tempos sombrios.
se cantará também?
Também se cantará
sobre os tempos sombrios.
Aquele que amo - Brencht
Aquele que amo
Disse-me
Que precisa de mim.
Por isso
Cuido de mim
Olho meu caminho
E receio ser morta
Por uma só gota de chuva.
...
Disse-me
Que precisa de mim.
Por isso
Cuido de mim
Olho meu caminho
E receio ser morta
Por uma só gota de chuva.
...
Os que lutam
"Há aqueles que lutam um dia; e por isso são muito bons;
Há aqueles que lutam muitos dias; e por isso são muito bons;
Há aqueles que lutam anos; e são melhores ainda;
Porém há aqueles que lutam toda a vida; esses são os imprescindíveis."
Há aqueles que lutam muitos dias; e por isso são muito bons;
Há aqueles que lutam anos; e são melhores ainda;
Porém há aqueles que lutam toda a vida; esses são os imprescindíveis."
Brencht
O Vosso Tanque General,
É Um Carro Forte
Derruba uma floresta esmaga cem Homens,
Mas tem um defeito
- Precisa de um motorista
O vosso bombardeiro, general
É poderoso: Voa mais depressa que a tempestade
E transporta mais carga que um elefante
Mas tem um defeito
- Precisa de um piloto.
O homem, meu general, é muito útil:
Sabe voar, e sabe matar
Mas tem um defeito
- Sabe pensar
É Um Carro Forte
Derruba uma floresta esmaga cem Homens,
Mas tem um defeito
- Precisa de um motorista
O vosso bombardeiro, general
É poderoso: Voa mais depressa que a tempestade
E transporta mais carga que um elefante
Mas tem um defeito
- Precisa de um piloto.
O homem, meu general, é muito útil:
Sabe voar, e sabe matar
Mas tem um defeito
- Sabe pensar
Privatizado, Brencht
Privatizaram sua vida,
seu trabalho, sua hora de amar e seu direito de pensar.
É da empresa privada o seu passo em frente,
seu pão e seu salário.
E agora não contente querem privatizar o conhecimento,
a sabedoria, o pensamento, que só à humanidade pertence."
seu trabalho, sua hora de amar e seu direito de pensar.
É da empresa privada o seu passo em frente,
seu pão e seu salário.
E agora não contente querem privatizar o conhecimento,
a sabedoria, o pensamento, que só à humanidade pertence."
Na Guerra Muitas Coisas Crescerão
Ficarão maiores
As propriedades dos que possuem
E a miséria dos que não possuem
As falas do guia*
E o silêncio dos guiados.
*Führer
As propriedades dos que possuem
E a miséria dos que não possuem
As falas do guia*
E o silêncio dos guiados.
*Führer
Bertolt Brencht
Eu queria ser um sábio.
Nos livros antigos está escrito o que é a sabedoria:
Manter-se afastado dos problemas do mundo
e sem medo passar o tempo que se tem para viver na terra;
Seguir seu caminho sem violência,
pagar o mal com o bem,
não satisfazer os desejos, mas esquecê-los.
Sabedoria é isso!
Mas eu não consigo agir assim.
É verdade, eu vivo em tempos sombrios!
Nos livros antigos está escrito o que é a sabedoria:
Manter-se afastado dos problemas do mundo
e sem medo passar o tempo que se tem para viver na terra;
Seguir seu caminho sem violência,
pagar o mal com o bem,
não satisfazer os desejos, mas esquecê-los.
Sabedoria é isso!
Mas eu não consigo agir assim.
É verdade, eu vivo em tempos sombrios!
L'AMICIZZIA
La Tartaruga aveva chiesto a Giove:
Vojo una casa piccola, in maniera che c'entri solo quarche amica vera,
che sia sincera e me ne dia le prove.
- Te lo prometto e basta la parola: - rispose Giove
- ma sari costretta a vive in una casa così stretta che c'entrerai tu sola.
Vojo una casa piccola, in maniera che c'entri solo quarche amica vera,
che sia sincera e me ne dia le prove.
- Te lo prometto e basta la parola: - rispose Giove
- ma sari costretta a vive in una casa così stretta che c'entrerai tu sola.
L' INGEGNO - Trilussa
L'Aquila disse ar Gatto: - Ormai so' celebre.
Cór nome e có la fama che ciò
io me ne frego der monno:
tutti l'ommini so' ammiratori de l'ingegno mio!
- Er Gatto je rispose:
- Nu' ne dubbito. Io, però, che frequento la cucina,
te posso di' che l'Omo ammira l'Aquila,
ma in fonno preferisce la Gallina...
Cór nome e có la fama che ciò
io me ne frego der monno:
tutti l'ommini so' ammiratori de l'ingegno mio!
- Er Gatto je rispose:
- Nu' ne dubbito. Io, però, che frequento la cucina,
te posso di' che l'Omo ammira l'Aquila,
ma in fonno preferisce la Gallina...
NINNA NANNA DE LA GUERRA (1914) by Trilussa
Ninna nanna, nanna ninna,
er pupetto vò la zinna:
dormi, dormi, cocco bello,
sennò chiamo Farfarello
Farfarello e Gujermone
che se mette a pecorone,
Gujermone e Ceccopeppe
che se regge co le zeppe,
co le zeppe d'un impero
mezzo giallo e mezzo nero.
Ninna nanna, pija sonno
ché se dormi nun vedrai
tante infamie e tanti guai
che succedeno ner monno
fra le spade e li fucili
de li popoli civili
Ninna nanna, tu nun senti
li sospiri e li lamenti
de la gente che se scanna
per un matto che commanna;
che se scanna e che s'ammazza
a vantaggio de la razza
o a vantaggio d'una fede
per un Dio che nun se vede,
ma che serve da riparo
ar Sovrano macellaro.
Chè quer covo d'assassini
che c'insanguina la terra
sa benone che la guerra
è un gran giro de quatrini
che prepara le risorse
pe li ladri de le Borse.
Fa la ninna, cocco bello,
finchè dura sto macello:
fa la ninna, chè domani
rivedremo li sovrani
che se scambieno la stima
boni amichi come prima.
So cuggini e fra parenti
nun se fanno comprimenti:
torneranno più cordiali
li rapporti personali.
E riuniti fra de loro
senza l'ombra d'un rimorso,
ce faranno un ber discorso
su la Pace e sul Lavoro
pe quer popolo cojone
risparmiato dar cannone!
er pupetto vò la zinna:
dormi, dormi, cocco bello,
sennò chiamo Farfarello
Farfarello e Gujermone
che se mette a pecorone,
Gujermone e Ceccopeppe
che se regge co le zeppe,
co le zeppe d'un impero
mezzo giallo e mezzo nero.
Ninna nanna, pija sonno
ché se dormi nun vedrai
tante infamie e tanti guai
che succedeno ner monno
fra le spade e li fucili
de li popoli civili
Ninna nanna, tu nun senti
li sospiri e li lamenti
de la gente che se scanna
per un matto che commanna;
che se scanna e che s'ammazza
a vantaggio de la razza
o a vantaggio d'una fede
per un Dio che nun se vede,
ma che serve da riparo
ar Sovrano macellaro.
Chè quer covo d'assassini
che c'insanguina la terra
sa benone che la guerra
è un gran giro de quatrini
che prepara le risorse
pe li ladri de le Borse.
Fa la ninna, cocco bello,
finchè dura sto macello:
fa la ninna, chè domani
rivedremo li sovrani
che se scambieno la stima
boni amichi come prima.
So cuggini e fra parenti
nun se fanno comprimenti:
torneranno più cordiali
li rapporti personali.
E riuniti fra de loro
senza l'ombra d'un rimorso,
ce faranno un ber discorso
su la Pace e sul Lavoro
pe quer popolo cojone
risparmiato dar cannone!
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